Em busca de sentido – Viktor Frankl

    Esse é um livro que gostaria de dividir com todos. Escrito por Viktor Frankl, o pai da Logoterapia (um viés mais existencialista), na qual o psicólogo/autor relata de forma realista, como se sentiu quando observou as pessoas em uma situação-limite em um campo de concentração nazista. Ele fala sobre esta busca, busca de sentido também para o sofrimento, a função disso. Muitos de nós confundimos sentido com metas e objetivos de vida. Todos temos objetivos e metas em nossa vida, mas já paramos para pensar qual o real sentido para isso? O que permeia e embasa nossas metas e objetivos, qual o sentido disso tudo? Ele toca na essência do que é ser humano; usar a capacidade de transcender uma situação extremamente desumanizadora, manter a liberdade interior e desta maneira, não renunciar ao sentido da vida, apesar dos pesares.
Para isso transcrevo uma parte que me chamou atenção nas palavras de Frankl:

    Dostoievsky afirmou uma vez: “Temo somente uma coisa: não ser digno do meu tormento.” Essas palavras ficavam passando muitas vezes pela cabeça da gente quando se ficava conhecendo aquelas pessoas tipo mártir, cujo comportamento no campo de concentração, cujo sofrimento e morte testemunham esta liberdade interior ultima do ser humano, a qual não se pode perder. Sem dúvida, elas poderiam dizer que foram: “Dignas dos seus tormentos”. Elas provaram que inerente ao sofrimento, há uma conquista, que é uma conquista interior. A liberdade espiritual do ser humano a qual são se pode lhe tirar, permite-lhe até o ultimo suspiro, configurar a sua vida de modo que tenha sentido. Pois não somente uma vida ativa tem sentido, em dando à pessoa a oportunidade de concretizar valores de forma criativa. Não há sentido apenas no gozo da vida, que permite à pessoa realizar valores na experiência do que é belo, na experiência da arte ou da natureza. Também há sentido naquela vida que – como no campo de concentração – dificilmente oferece uma chance de se realizar criativamente em termos de experiência, mas que lhe reserva apenas uma possibilidade de configurar o sentido da existência, e que consiste precisamente na atitude com que a pessoa se coloca face à restrição forçada de fora sobre seu ser. Faz muito que o recluso está privado de realizar valores criativos. Mas não se encontra sentido apenas na realização de valores de criação e de experiência. Se é que a vida tem sentido, também o sofrimento necessariamente o terá. Afinal de contas o sofrimento faz parte da vida, de alguma forma, do mesmo modo que o destino e a morte. Aflição e morte fazem parte da existência como um todo.
A maioria se preocupava com a questão: “Será que vamos sobreviver ao campo de concentração? Pois caso contrário, todo esse sofrimento não tem sentido.” Em contraste, a pergunta que me afligia era outra: “Será que tem sentido todo esse sofrimento, essa morte ao nosso redor? Pois caso contrario, afinal de contas, não faz sentido sobreviver ao campo de concentração.” Uma vida cujo sentido depende exclusivamente de se escapar com ela ou não e, portanto, das boas graças de semelhante acaso – um vida dessas nem valeria a pena ser vivida.

Saudações e uma ótima semana a todos.

Willian Mac-Cormick

5 Respostas para “Em busca de sentido – Viktor Frankl”

  1. Sérgio Disse:

    Esse autor ainda vai dar muito o que falar! Seu posicionamento “faz todo sentido”!
    abraços

  2. Agostinho Noleto Disse:

    Viktor Frankl tornou-se um ícone da ciência moderna, cada vez mais antenada com a filosofia e à presença de Deus em nossas vidas. Pesquiso a opinião de Frankl sobre o sentido transcendental da vida.

  3. Os números de 2010 « Maccormick’s Blog Disse:

    [...] Em busca de sentido – Viktor Frankl maio, 2009 2 comentários 3 [...]

  4. Irinha Costa Cunha Seixas Disse:

    Estou estudando este livro para apresentação de um trabalho acadêmico, estou encantada com tudo,mas principalmente pela forma que o autor coloca a visão de sofrimento, o quanto apesar de tudo que nos aconteça, podemos crescer e utilizar esta ultima liberdade, talvez a única que temos de verdade.

  5. Maicon Marden Rodrigues Disse:

    Sou contador….e sinceramente adoro psicanalise(nada haver com a profissão, achei exremamente válido a abordagem sobre a logoterapia bem como a sua auto biografia…..impressionante) , entretanto sugiro a leitura do mesmo, pois o autor nos brindou com uma verdadeira obra prima!!”!!!

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

You are commenting using your Facebook account. Sair / Alterar )

Connecting to %s


Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.