O discurso só se sustenta através do ato…
A incoerência entre o que falamos, o que desejamos e como agimos torna-se cada vez mais um empecilho para que consigamos alcançar nossos objetivos, prazer ou algum tipo de bem-estar.
Vivemos na era do discurso. Mas o meu discurso, ou seja, o que eu falo e prego por verdade não se sustenta por muito tempo se não seguida pela ação, pelo ato. Freud já dizia que o pensamento é o ensaio da ação. Sempre há o tempo para refletir, para falar e há o tempo para agir.
A questão é que cada vez agimos menos de acordo com nosso discurso. O discurso é aquele que dita, que diz-o-curso, mas quem te leva e te sustenta onde desejas estar é o ato, a ação. Sem o ato, o discurso não se sustenta por muito tempo.
“No princípio era a ação.” (Sigmund Freud)
Somos bombardeados por palestrantes que nunca ou pouco agiram sobre o tema que falam, apenas ensaiaram, somos atendidos por psicólogos que não fazem terapia ou por psicanalistas que não se analisam. É como ter aulas com um professor de literatura que não lê… Incoerente.
Existem treinamentos e mais treinamentos visando melhorar, agregar e aprimorar o discurso, a oratória. Mas o que é feito para agirmos ou para aprendermos como bancar o preço por esta ação?
“Mas aquele consultor fala muito bem, parece que entende mesmo do assunto…”, diz um amigo. E lhe respondo: “Falar difícil é fácil, o difícil é falar fácil e agir.”
Quanto mais é enfático e repetitivo o discurso que profere, mais esta tentando se convencer do mesmo. É como um político que, em palanque ou acusado de alguma ilegalidade se embasa e repetitivamente se apega no discurso de que “Sou ético!! Sou ético!! Sou ético!!”
Quem é ético apenas o é. Quem não é, tenta se convencer. Mas entre o prolixo e o cropolálico, melhor o silêncio.
“Preocupe-se mais com o não-dito do que com o mal-dito”
Mesmo que mal, quando eu digo algo tomo posse desse discurso, mesmo que seja mágoa, repúdio, aversão. Quando não digo me mantenho refém do não dito. Nem sempre o bem-dizer é uma opção, mas muitas vezes é necessário dizer da forma que se consegue. Não percebemos, mas há sempre palavras que dizem sem o querer dizer.
Dar voz é se empossar de algo até então velado.
Agir à altura do discurso e discursar à altura do desejo.
Nossa questão hoje não é necessariamente desejar e sim agir à altura do seu desejo, do seu discurso. Imaginar, desejar sem se comprometer é apenas um delírio ou um ensaio de algo que nunca fica pronto, que não sai do papel. O Brasil é feito, em sua maioria, de pessoas que querem ganhar na loteria, mas não jogam. Para tudo há um preço. É necessário passar do discurso ao ato para se obter o que desejas.
Me apoio no que, sabiamente, certa vez disse William Shakespeare: “Que tuas palavras ilustrem teu comportamento e teu comportamento, tuas palavras.”
E você? Deseja ser reconhecido por seu discurso ou suas ações? Você deseja ser reconhecido? Você deseja?
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